A gente tem vergonha de beijar tudo, de amar as flores, de se enternecer com os animais, de dar um passeio. Se beija uma árvore, é parvo; se traz uma flor na mão, é maricas; se se enternece, é fraco; se vai a qualquer parte para passear e ver o mundo, faz constar que foi em viagem de estudo ou em viagem de negócios. Temos vergonha de ser sinceros, de que nos creiam parvos ou maricas, ou fracos, ou lúbricos ou estroinas, e então perdemos o melhor da nossa vida.